Entrevista ao sócio: Anabela Mendes da Eurobit

Q: Pode contar a história por detrás do seu negócio?

“Nós eramos três e, há muitos anos atrás, trabalhávamos numa empresa de informática. Essa empresa de informática acabou por falir e como gostávamos imenso do ramo, decidimos abrir uma empresa nossa. Esta surgiu em 1997 com o nome Eurobit. O nome é a junção de Euro, por estarmos na zona Euro e bit, que é um termo informático. Podia ser Eurobit ou Eurobyte, mas achámos que devíamos começar primeiro nos bits. Foi essa a ideia e tem corrido bem.

Q: Qual foi o percurso profissional que a levou até aqui?

“Eu tenho o 12º ano. Temos todos só o 12º ano. Eu trabalhei sempre no ramo de loja, mas não era desta área. Acabei depois por ficar na área de informática. E o meu colega foi sempre. O senhor José Barata, dos sócios, é que é o técnico.

Q: Quais foram os obstáculos ultrapassados que hoje definem a resiliência do seu negócio?

“Os obstáculos foram muitos. Uma grande concorrência, mesmo a nível da Internet e dos preços. Isso foi, sem dúvida, o pior obstáculo para a Eurobit. Apesar disso, temos os clientes habituais. Também trabalhamos com as escolas, com a universidade, para o Estado, empresas.

Só que o consumidor final compra com muita facilidade na Internet, as empresas já não. Estas precisam de configurar programas e redes, o que não pode ser adquirido pela Internet. Tem de ser com um técnico e presencialmente. Também temos a parte da gestão comercial. Trabalhamos com a XD e com a Sage a nível de restauração, de lojas. É sempre uma mais-valia para uma empresa.

Outro dos obstáculos, sem dúvida, é a grande concorrência que há nas grandes superfícies. Têm preços muito competitivos e para nós, uma loja com a dimensão que temos, é difícil. Temos de ter outros argumentos para conseguir captar clientes. Argumentos e vantagens como a assistência técnica, o atendimento personalizado. Isso é muito importante. Acaba por se criar uma amizade, uma boa relação entre o cliente e a empresa.”

Q: O seu comércio criou raízes na Covilhã. Quais são os pontos altos de estar a trabalhar nesta cidade?

“Ao nível da cidade, a grande vantagem para a Covilhã é a Universidade da Beira Interior. Isso é que dá vida à nossa cidade em todos os aspetos. Antes, a cidade da Covilhã era a cidade dos lanifícios e agora, neste momento, é a universidade que se destaca.”

Q: Tendo em consideração os diversos desafios e dificuldades que o comércio tradicional e local enfrenta na atualidade, quais são as suas perspetivas para o futuro?

“As perspetivas é continuar a apostar sempre na qualidade, no atendimento, na assistência técnica e tentar acompanhar os preços da concorrência. A Eurobit pretende garantir ao cliente plena satisfação com os produtos comercializados, incluindo o apoio prestado dentro e fora das nossas instalações, e quando é necessário, em casa do cliente ou nas empresas.

A estratégia passa também por compreender o mercado, perceber a especificidade das empresas do interior, a sua dimensão, objetivos e necessidades, de modo a propor soluções adequadas. Por causa disso temo-nos conseguido manter. Não tem sido fácil mas temos conseguido e cá estaremos ainda mais uns anos.”